Tudo começou no subprime. Brasileiro descobre forma de explicar a crise: "O Boteco do Seu Biu"
2008-10-12
JOSÉ MIGUEL GASPAR
Do subprime ao caos do capitalismo global, como é que a economia de mercado está a afectar a economia das pessoas do mundo real? Há algo que se consiga ver para lá da cortina colectiva do pânico?
Descer, cortar, baixar, reduzir, drasticamente depreciar, diminuir. olhar hoje para a primeira página de um jornal - todos os jornais da semana são súbitos jornais económicos, esquemas, diagramas, símbolos e montes alpinos a cair a pique - é sofrer um ataque de verbos alarmantes. No resto do ambiente há furacões, derisões, nacionalizações, quedas, crashes e perdas de mil milhões, todos os dias, todos por todos os lados assaltados.
Reduzidos a zeros e uns, aqui, abaixados e decrescidos, o que conseguimos ver realmente para lá da branca e transida cortina do pânico colectivo da crise? Realmente nada. A Bolsa teve esta semana a sua pior semana de sempre: a queda reduziu a menos de metade o valor de 11 cotadas do PSI-20, índice bolsista português; sete das principais empresas do índice recuaram mais de 60% este ano - Belmiro, só Belmiro, já terá perdido 2,3 mil milhões. Isto é economia real?
Economia real é isto: em Dezembro de 2005, uma prestação de crédito de 150 mil euros a 30 anos era de, mais cêntimo, menos cêntimo, 516 euros. A Euribor a seis meses estava a 2,639%. Hoje, com a taxa a 5,448%, o valor dessa mesma prestação é de 1065 euros, mais cêntimo, menos cêntimo. Confuso sobre aquilo que pode realmente fazer?
Olhemos para o lado, mais economia real: o incumprimento total dos particulares portugueses em Julho de 2008 era de 2.734 mil milhões de euros; a factura cresceu num mês 84 milhões. O que quer isto dizer? Que em cada dia de Julho os portugueses não pagaram ao banco 2,7 milhões de euros a que se tinham comprometido. Nas empresas, o aumento do incumprimento é de 1,9 milhões/dia.
O que aconteceu? Numa palavra: subprime. O crédito hipotecário concedido em condições de risco muito elevado, maximizado, multiplicado por mil e uma bolhas de especulação. Começou nos Estados Unidos em 2003, levou a uma espectacular subida do preço das casas e foi até 2006, viajando numa tão intensa velocidade de novas e tão complexas aplicações financeiras que só mesmo os grandes especialistas as entendiam - com os reguladores atrás, muito atrás dessa inovação banqueira. Com essa expansão global, e o seu excesso, percebeu-se que tudo estava assente numa coisa que não existia: o dinheiro não existia; o hipotecado não tinha dinheiro para pagar a hipoteca. O resto é como o dominó: cai uma, vai outra, cai em tombo total o valor das casas.
Mas como é que tudo isto é global ? Como é possível que o gesto de permitir o acesso a habitação a quem, noutras condições, nunca poderia ter casa própria se pode transformar neste monstro total?
Atendendo a que todos estamos no mesmo patamar - os confusos, os integralmente globalizados -, as explicações vão, vêm e sucedem-se, em permanente actualização, sem que se consiga perceber o que está no fim, no meio e no início.
Do olho do remoinho, a olhar para o chão, foi um brasileiro, autor anónimo, a encontrar a melhor das explicações, um exemplo prosaico de linguagem rasa, recta e real. A história chama-se "O Boteco do Seu Biu", já é adorada pelos especialistas, e está a cruzar os tops de trocas da Internet.
"O Seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça fiada aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decide vender fiado, pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o valor extra que os clientes pagam pelo crédito).
O gerente do banco do Seu Biu, um ousado administrador, decide que as cadernetas de calotes do bar constituem, afinal, um activo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento, tendo o fiado dos bêbados sempre como garantia.
Uns seis executivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e transformam-nos em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrónimo financeiro que ninguém sabe exactamente o que quer dizer.
Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas de calotes dos clientes do Seu Biu). Esses derivativos são negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.
Até que alguém descobre o inevitável: que a garrafa tem fundo e que os bêbados da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas.
A descoberta do vazio arrasta consigo os mercados de 73 países, a bolsa de mercados e futuros, todos os bancos, o ousado administrador e o pobre do Seu Biu, o primeiro a ir à falência".
Conclusão brasileira de humor crocante: "O que aconteceu? Toda a cadeia sifudeu".
domingo, 19 de outubro de 2008
domingo, 28 de setembro de 2008
Maçonaria - Liberdade Igualdade e Fraternidade
A maçonaria como hoje conhecemos, segundo o Dicionário da Maçonaria de Joaquim Gervásio de Figueiredo, "foi fundada em 24 de junho de 1717, em Londres". A origem da maçonaria está ligada às lendas de Ísis e Osíris, Egito; ao culto a Mitra, passando pela Ordem dos Templários e a Fraternidade Rosa Cruz.
É uma associação de carácter universal, cujos membros cultivam a filantropia, justiça social, aclassismo, humanidade, os princípios da liberdade, democracia e igualdade. Os maçons estruturam-se e reúnem-se em células autónomas, designadas por oficinas, ateliers ou (como são mais conhecidas) Lojas, "todas iguais em direitos e honras, e independentes entre si".
Está presente em todo mundo e tem como membros pessoas de grande influência na sociedade, abrangendo a política, economia, religião, poder legislativo e outros. Apenas aceita para seus membros individuos de classes sociais altas e elites (ao contrário da Cabonária por necessidade) advogando que é necessário ter um certo nível cultural.
Sempre gostei de ler sobre sociedades secretas cheias de simbologia presentes em monumentos e documentos. A Maçonaria e o seu ''braço armado'', a Carbonáriao, teveram grande influência na revoluçao Revolução de 5 de Outubro de 1910 que naquela data pôs termo à monarquia Portuguesa.
Ontem li um artigo no JN cujo título era ''Maçon não mete cunha'', no qual o Ex-grão mestre da maçonaria dizia que esta organização já esteve "inundada de oportunistas". Mas garante que se trata de "uma associação de homens honrados", a que a democracia tem retirado poder. Dizia também que a maçonaria perdeu influência política, os magistrados-maçons não fazem fretes a "irmãos", nem as relações maçónicas propiciam cunhas, tráfico de influências ou negociatas. São ideias defendidas, em Coimbra, pelo maçon António Arnaut (ex-grão mestre do GOL - Grande Oriente Lusitano ).
De facto nao consigo deixar de ter um certo sentimento de pena por todos esses maçons, coitados já nao têm grande influência, já nao conseguem lograr a lei em seu proveito, nem meter cunhas aos amigos.
Por isso faço aqui um apelo: Se encontrares um Maçon na rua, ou na assembleia da república, aproxima-te com um sorriso na cara e diz-lhe algo simpatico e motivador, podes ate dar-lhe um carinhoso e calorento abraço ou até fazer um comentário positivo relativamente a sua maneira de vestir ou elogiar a sua aparência (confesso que será dificil no caso de encontrar o Mario Soares).
É uma associação de carácter universal, cujos membros cultivam a filantropia, justiça social, aclassismo, humanidade, os princípios da liberdade, democracia e igualdade. Os maçons estruturam-se e reúnem-se em células autónomas, designadas por oficinas, ateliers ou (como são mais conhecidas) Lojas, "todas iguais em direitos e honras, e independentes entre si".
Está presente em todo mundo e tem como membros pessoas de grande influência na sociedade, abrangendo a política, economia, religião, poder legislativo e outros. Apenas aceita para seus membros individuos de classes sociais altas e elites (ao contrário da Cabonária por necessidade) advogando que é necessário ter um certo nível cultural.
Sempre gostei de ler sobre sociedades secretas cheias de simbologia presentes em monumentos e documentos. A Maçonaria e o seu ''braço armado'', a Carbonáriao, teveram grande influência na revoluçao Revolução de 5 de Outubro de 1910 que naquela data pôs termo à monarquia Portuguesa.
Ontem li um artigo no JN cujo título era ''Maçon não mete cunha'', no qual o Ex-grão mestre da maçonaria dizia que esta organização já esteve "inundada de oportunistas". Mas garante que se trata de "uma associação de homens honrados", a que a democracia tem retirado poder. Dizia também que a maçonaria perdeu influência política, os magistrados-maçons não fazem fretes a "irmãos", nem as relações maçónicas propiciam cunhas, tráfico de influências ou negociatas. São ideias defendidas, em Coimbra, pelo maçon António Arnaut (ex-grão mestre do GOL - Grande Oriente Lusitano ).
De facto nao consigo deixar de ter um certo sentimento de pena por todos esses maçons, coitados já nao têm grande influência, já nao conseguem lograr a lei em seu proveito, nem meter cunhas aos amigos.
Por isso faço aqui um apelo: Se encontrares um Maçon na rua, ou na assembleia da república, aproxima-te com um sorriso na cara e diz-lhe algo simpatico e motivador, podes ate dar-lhe um carinhoso e calorento abraço ou até fazer um comentário positivo relativamente a sua maneira de vestir ou elogiar a sua aparência (confesso que será dificil no caso de encontrar o Mario Soares).
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Bitaites isolados
Os politicos são como as fraldas e têm de ser substituidos frequentemente pelas mesmas razões.
''A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição das riquezas; a vantagem do socialismo é a igual distribuição das misérias'' - W. Churchill
''A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição das riquezas; a vantagem do socialismo é a igual distribuição das misérias'' - W. Churchill
segunda-feira, 21 de julho de 2008
que lata
num mundo que se quer cada vez mais individualista e em que pululam os egoísmos de toda a ordem e espécie eis que surge da escuridão algo de fascinante. omar el-beshir vai ser julgado no tribunal penal internacional. nao é pequeno feito para um ditador que matou mais (pois há muito que as noticias dizem o mesmo valor e todos os dias morrem sudaneses às mãos desse torcionário) 300.000 pessoas. chateia ainda que se conseguisse chegar ate aqui, durou tempo demais até que esses senhores a quem damos carta branca e achamos dignos de governarem os destinos do mundo pusessem esse megalómano sanguinário atras das grades. chateia porque concerteza terá um subterfúgio legitimo para se escapar ao cárcere.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Woody Allen quotes
É curioso que se chame de sexo oral uma prática que o que menos se pode fazer é falar
I don't want to achieve immortality through my work. I want to achieve it through not dying
Sex without love is an empty experience. But as empty experiences go, it's one of the best
It seemed the world was divided into good and bad people. The good ones slept better ... while the bad ones seemed to enjoy the waking hours much more
I am at two with nature
I tended to place my wife under a pedestal
I'm astounded by people who want to 'know' the universe when it's hard enough to find your way around Chinatown
If only God would give me some clear sign! Like making a large deposit in my name in a Swiss bank
Most of the time I don't have much fun. The rest of the time I don't have any fun at all
My one regret in life is that I am not someone else
On the plus side, death is one of the few things that can be done just as easily lying down
The government is unresponsive to the needs of the little man. Under 5'7", it is impossible to get your congressman on the phone
I don't want to achieve immortality through my work. I want to achieve it through not dying
Sex without love is an empty experience. But as empty experiences go, it's one of the best
It seemed the world was divided into good and bad people. The good ones slept better ... while the bad ones seemed to enjoy the waking hours much more
I am at two with nature
I tended to place my wife under a pedestal
I'm astounded by people who want to 'know' the universe when it's hard enough to find your way around Chinatown
If only God would give me some clear sign! Like making a large deposit in my name in a Swiss bank
Most of the time I don't have much fun. The rest of the time I don't have any fun at all
My one regret in life is that I am not someone else
On the plus side, death is one of the few things that can be done just as easily lying down
The government is unresponsive to the needs of the little man. Under 5'7", it is impossible to get your congressman on the phone
domingo, 6 de julho de 2008
Batam palmas ao Jorge
Fui ao Super Bock para ouvir Jay Kay (aka Jamiroquai), esse grande artista de origem britânica, e Morcheba principalmente. E isto porque arranjei bilhete através de um amigo, nenhuma destas bandas me fazia desembolsar 35 € de livre e espontânea vontade...
Chegando ao super bock tudo muito bonito, a parede de escalada e rapel, o merchandising e até uma fantástica roda gigante que mais parecia o London Eye.
Por razoes desconhecidas e ao contrario de todas as expectativas decidiram por o Jorge Palma a fechar este dia do festival, depois de Jamiroquai. Como consequência já não cheguei a tempo de ver Morcheba, fica pá próxima...
De facto podiam ter posto uma banda melhor para fazer o warm-up antes do mundialmente conhecido (metro de Paris) e aplaudido Jorge Palma, por exemplo os Stones ou U2, penso que seria mais adequado.
Hoje o Jorge superou todas as expectativas conseguindo manter-se de pé durante todo o concerto e tendo-se lembrado da maior parte da letra das suas musicas, sempre apoiado por uma super bock, está claro.
Penso que alguém deveria apresentar a Amy ''casa de vinhos'' ao Jorge, talvez a Teresa Guilherme não sei. Iam dar-se muito bem tenho a certeza, têm tantas coisas em comum. Ambos fazem questão de dar concertos num estado em que, para a maioria dos mortais, seria difícil manter o mais simples dos diálogos.
Por isso palmas pro Palma e lamento apenas não ter sido cantada a musica do fora da lei, sobre a vida dessa vitima da sociedade chamado Jeremias.
Chegando ao super bock tudo muito bonito, a parede de escalada e rapel, o merchandising e até uma fantástica roda gigante que mais parecia o London Eye.
Por razoes desconhecidas e ao contrario de todas as expectativas decidiram por o Jorge Palma a fechar este dia do festival, depois de Jamiroquai. Como consequência já não cheguei a tempo de ver Morcheba, fica pá próxima...
De facto podiam ter posto uma banda melhor para fazer o warm-up antes do mundialmente conhecido (metro de Paris) e aplaudido Jorge Palma, por exemplo os Stones ou U2, penso que seria mais adequado.
Hoje o Jorge superou todas as expectativas conseguindo manter-se de pé durante todo o concerto e tendo-se lembrado da maior parte da letra das suas musicas, sempre apoiado por uma super bock, está claro.
Penso que alguém deveria apresentar a Amy ''casa de vinhos'' ao Jorge, talvez a Teresa Guilherme não sei. Iam dar-se muito bem tenho a certeza, têm tantas coisas em comum. Ambos fazem questão de dar concertos num estado em que, para a maioria dos mortais, seria difícil manter o mais simples dos diálogos.
Por isso palmas pro Palma e lamento apenas não ter sido cantada a musica do fora da lei, sobre a vida dessa vitima da sociedade chamado Jeremias.
Subscrever:
Comentários (Atom)